Dra. Larissa Atala

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Como melhorar a saúde íntima durante a menopausa

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Dra. Larissa Atala

CRM/SP 132948 | RQE 40443 | RQE 40443-1

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A menopausa representa uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo fim dos ciclos menstruais e por uma importante mudança hormonal, principalmente pela redução dos níveis de estrogênio. Embora seja um processo fisiológico, as alterações hormonais podem provocar impactos significativos na saúde íntima feminina.

Sintomas como ressecamento vaginal, ardência, dor durante a relação sexual, redução da lubrificação e alterações urinárias são frequentes, mas muitas mulheres deixam de procurar ajuda por acreditarem que fazem parte do envelhecimento normal.

A boa notícia é que existem diversas estratégias para preservar o conforto, a sexualidade e a qualidade de vida durante a menopausa. O acompanhamento ginecológico permite identificar as causas dos sintomas e escolher o tratamento mais adequado para cada mulher.

O que muda na região íntima durante a menopausa?

Com a queda do estrogênio, ocorre uma série de alterações nos tecidos da vulva, vagina e trato urinário inferior.

O estrogênio é responsável por manter:

  • A espessura e elasticidade da mucosa vaginal;
  • A produção adequada de lubrificação;
  • O equilíbrio da flora vaginal;
  • A acidez natural da vagina;
  • A boa circulação sanguínea da região genital.

Com a redução hormonal, esses tecidos tornam-se mais finos, menos hidratados e mais sensíveis. Esse conjunto de alterações é chamado atualmente de síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

O que é a síndrome geniturinária da menopausa?

A síndrome geniturinária da menopausa reúne sintomas que afetam a região genital e urinária relacionados à queda do estrogênio.

Diferentemente dos fogachos, que costumam diminuir com o passar dos anos, os sintomas geniturinários podem se tornar progressivos quando não tratados.

Entre os principais sintomas estão:

  • Ressecamento vaginal;
  • Ardência vaginal;
  • Coceira ou irritação;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Redução da lubrificação;
  • Pequenos sangramentos após a relação;
  • Sensação de pressão vaginal;
  • Infecções urinárias recorrentes;
  • Urgência para urinar;
  • Aumento da frequência urinária.

Por que ocorre o ressecamento vaginal?

O ressecamento vaginal é uma das queixas mais comuns após a menopausa.

A redução do estrogênio provoca:

  • Diminuição da espessura da parede vaginal;
  • Menor produção de secreções naturais;
  • Redução da elasticidade dos tecidos;
  • Alteração do pH vaginal.

Como consequência, a vagina pode ficar mais sensível, favorecendo desconforto, ardência e dor durante a relação sexual.

Como melhorar a lubrificação vaginal?

Existem diferentes estratégias para recuperar o conforto íntimo.

Hidratantes vaginais

Os hidratantes vaginais são produtos desenvolvidos para melhorar a hidratação da mucosa vaginal. Diferentemente dos lubrificantes, que são utilizados principalmente no momento da relação sexual, os hidratantes possuem efeito mais prolongado e podem ser utilizados regularmente.

Lubrificantes íntimos

Os lubrificantes reduzem o atrito durante a relação sexual e podem ajudar mulheres que apresentam dor associada ao ressecamento.

Podem ser encontrados em diferentes formulações, como:

  • À base de água;
  • À base de silicone;
  • Outras formulações específicas.

A escolha deve considerar a sensibilidade individual e possíveis alergias.

O tratamento com estrogênio vaginal funciona?

Sim.

O estrogênio vaginal é uma das opções mais eficazes para tratar sintomas da síndrome geniturinária da menopausa.

Ele atua diretamente nos tecidos vaginais, ajudando a:

  • Recuperar a espessura da mucosa;
  • Melhorar a lubrificação;
  • Reduzir dor durante a relação;
  • Melhorar sintomas urinários associados.

Como possui baixa absorção sistêmica quando comparado à terapia hormonal oral, pode ser uma opção para muitas mulheres, desde que avaliada individualmente pelo ginecologista.

Mulheres com histórico de determinados tipos de câncer ou outras condições específicas precisam de avaliação médica antes do uso.

Terapia hormonal da menopausa pode ajudar na saúde íntima?

A terapia hormonal da menopausa pode melhorar diversos sintomas relacionados à deficiência de estrogênio, incluindo alterações geniturinárias.

Ela pode ser indicada para mulheres que apresentam sintomas da menopausa e que não possuem contraindicações.

A decisão deve considerar:

  • Idade da paciente;
  • Tempo desde a menopausa;
  • Histórico pessoal e familiar;
  • Risco cardiovascular;
  • Histórico de câncer de mama;
  • Presença de outros sintomas.

A terapia hormonal deve sempre ser individualizada.

O laser vaginal é uma opção?

Procedimentos com energia, como laser vaginal e radiofrequência, têm sido utilizados para sintomas geniturinários da menopausa.

Algumas mulheres relatam melhora de sintomas como ressecamento e desconforto, porém a evidência científica ainda está em evolução e os resultados podem variar.

A indicação deve ser discutida com um ginecologista, considerando alternativas com maior comprovação científica.

Como cuidar da higiene íntima na menopausa?

A higiene íntima adequada ajuda a preservar o equilíbrio natural da região genital.

Algumas recomendações incluem:

  • Lavar apenas a parte externa da região genital;
  • Evitar duchas vaginais;
  • Preferir sabonetes suaves e adequados para a região íntima;
  • Evitar produtos perfumados que podem causar irritação;
  • Utilizar roupas íntimas confortáveis e que permitam ventilação.

A vagina possui mecanismos próprios de limpeza e o excesso de higienização pode prejudicar a flora vaginal.

A atividade sexual muda após a menopausa?

A sexualidade feminina pode mudar durante a menopausa, mas isso não significa perda da qualidade da vida sexual.

Alterações hormonais, sintomas físicos, questões emocionais e mudanças na percepção corporal podem influenciar o desejo e o conforto.

O tratamento adequado dos sintomas físicos, associado ao diálogo com o parceiro e ao cuidado com a saúde emocional, pode contribuir para uma vida sexual satisfatória.

Como melhorar a libido durante a menopausa?

A redução da libido pode ter múltiplas causas.

Alguns fatores envolvidos incluem:

  • Ressecamento e dor durante a relação;
  • Alterações hormonais;
  • Estresse;
  • Ansiedade;
  • Problemas de sono;
  • Alterações na autoestima;
  • Uso de determinados medicamentos.

O primeiro passo é identificar a causa. Melhorar o conforto íntimo, tratar sintomas da menopausa, praticar atividade física e manter uma boa comunicação são medidas importantes.

A menopausa aumenta o risco de infecções urinárias?

Sim.

A redução do estrogênio pode alterar a flora vaginal e favorecer mudanças que aumentam a predisposição para infecções urinárias.

Algumas medidas podem ajudar:

  • Beber água adequadamente;
  • Não segurar a urina por longos períodos;
  • Urinar após relações sexuais;
  • Procurar avaliação em casos de infecções recorrentes.

Em algumas mulheres, o estrogênio vaginal pode reduzir episódios repetidos de infecção urinária, quando indicado pelo médico.

Quando procurar o ginecologista?

É recomendado buscar avaliação quando houver:

  • Dor durante a relação sexual;
  • Sangramento vaginal após a menopausa;
  • Ardência persistente;
  • Corrimento diferente do habitual;
  • Infecções urinárias frequentes;
  • Ressecamento que interfere na qualidade de vida;
  • Alterações urinárias persistentes.

Nenhum desses sintomas precisa ser encarado como algo inevitável.

Perguntas frequentes

É normal sentir dor na relação após a menopausa?

É comum, mas não deve ser considerada normal ou obrigatória. Existem tratamentos eficazes para melhorar o conforto e a qualidade da vida sexual.

O ressecamento vaginal tem solução?

Sim. Existem diversas opções, incluindo hidratantes, lubrificantes, tratamentos hormonais locais e outras abordagens conforme indicação médica.

Toda mulher precisa usar hormônio na menopausa?

Não. A indicação depende dos sintomas, histórico de saúde e avaliação individual.

A saúde íntima piora com a idade?

Não necessariamente. Com os cuidados adequados, é possível manter conforto, sexualidade e qualidade de vida em todas as fases da vida.

Conclusão

A menopausa traz mudanças hormonais que podem afetar a saúde íntima feminina, mas esses sintomas não precisam ser aceitos como uma consequência inevitável do envelhecimento.

O ressecamento vaginal, a dor durante a relação, as alterações urinárias e outros desconfortos possuem tratamento e devem ser discutidos com o ginecologista.

Manter consultas regulares, adotar hábitos saudáveis e buscar orientação ao primeiro sinal de alteração são atitudes fundamentais para preservar a saúde íntima, a autoestima e a qualidade de vida durante a menopausa.

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