Dra. Larissa Atala

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Dor durante a relação sexual: principais causas e soluções

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CRM/SP 132948 | RQE 40443 | RQE 40443-1

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A dor durante a relação sexual, conhecida na medicina como dispareunia, é uma condição que pode afetar mulheres de todas as idades, embora seja mais frequente após os 40 anos e durante a perimenopausa e a menopausa. Apesar de ser uma queixa comum, muitas mulheres convivem com esse desconforto por anos sem procurar ajuda, acreditando que seja uma consequência natural do envelhecimento ou algo que precisam suportar.

Entretanto, sentir dor durante a relação sexual nunca deve ser considerado normal. Em muitos casos, esse sintoma está relacionado a condições que possuem tratamento e que, quando diagnosticadas precocemente, permitem recuperar o conforto, a qualidade de vida e a saúde sexual.

Neste artigo, você entenderá quais são as principais causas da dor durante a relação sexual, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos podem ser indicados.

O que é a dispareunia?

Dispareunia é o termo utilizado para descrever a dor recorrente ou persistente associada à penetração vaginal ou às relações sexuais.

A dor pode ocorrer:

  • Antes da penetração;
  • No início da penetração;
  • Durante toda a relação sexual;
  • Em posições específicas;
  • Após o término da relação.

A intensidade também varia bastante. Algumas mulheres relatam apenas um leve desconforto, enquanto outras apresentam dor intensa que impede completamente a atividade sexual.

Quais são as principais causas?

A dor durante a relação sexual pode ter origem ginecológica, hormonal, muscular, urinária ou emocional. Em muitas pacientes, mais de um fator está presente ao mesmo tempo.

Ressecamento vaginal

O ressecamento vaginal é uma das causas mais frequentes após os 40 anos. Durante a perimenopausa e a menopausa, a redução do estrogênio diminui a lubrificação natural e torna a mucosa vaginal mais fina e sensível.

Como consequência, a penetração pode causar:

  • Ardor;
  • Sensação de atrito;
  • Pequenos sangramentos;
  • Dor durante ou após a relação.

Essa condição faz parte da síndrome geniturinária da menopausa e possui tratamento eficaz.

Atrofia vaginal

Também relacionada à deficiência de estrogênio, a atrofia vaginal provoca redução da elasticidade, diminuição da espessura da mucosa e maior fragilidade dos tecidos.

Além da dor, podem surgir:

  • Coceira;
  • Ardor;
  • Irritação;
  • Infecções urinárias recorrentes.

Alterações do assoalho pélvico

A musculatura do assoalho pélvico pode permanecer excessivamente contraída, dificultando ou impedindo a penetração.

Esse quadro pode estar relacionado à dor crônica, ansiedade, cirurgias prévias ou alterações musculares. Em muitos casos, a fisioterapia pélvica desempenha papel importante no tratamento.

Endometriose

A endometriose pode causar dor profunda durante a relação sexual, principalmente quando há comprometimento da região posterior da pelve.

Outros sintomas frequentemente associados incluem:

  • Cólicas menstruais intensas;
  • Dor pélvica crônica;
  • Dor para evacuar durante a menstruação;
  • Dificuldade para engravidar.

Adenomiose

Na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio cresce dentro da musculatura uterina.

Além de dor durante a relação, pode causar:

  • Fluxo menstrual intenso;
  • Cólicas importantes;
  • Aumento do volume uterino.

Miomas uterinos

Dependendo da localização, especialmente quando próximos ao colo do útero ou à cavidade uterina, os miomas podem provocar desconforto durante a penetração.

Infecções ginecológicas

Infecções causadas por fungos, bactérias ou infecções sexualmente transmissíveis podem provocar inflamação da mucosa vaginal e dor durante a relação.

Entre os sintomas associados estão:

  • Corrimento vaginal;
  • Mau odor;
  • Coceira;
  • Ardor ao urinar.

Cistos ovarianos

Alguns cistos ovarianos, especialmente quando maiores, podem causar dor pélvica durante determinadas posições sexuais.

Alterações emocionais

Ansiedade, estresse, experiências traumáticas, medo da dor, depressão e dificuldades no relacionamento também podem contribuir para a dispareunia. A saúde sexual envolve tanto aspectos físicos quanto emocionais.

Quando a dor é um sinal de alerta?

Embora muitas causas sejam benignas, alguns sinais exigem avaliação médica mais rápida. Procure um ginecologista se a dor estiver associada a:

  • Sangramento após a relação sexual;
  • Dor pélvica intensa;
  • Corrimento com odor forte;
  • Febre;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Sangramento após a menopausa;
  • Dor que piora progressivamente.

Esses sintomas podem indicar condições que necessitam de investigação específica.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma conversa detalhada entre a paciente e o ginecologista. Algumas informações importantes incluem:

  • Local exato da dor;
  • Momento em que ela ocorre;
  • Intensidade;
  • Tempo de evolução;
  • Presença de ressecamento vaginal;
  • Alterações menstruais;
  • Histórico de cirurgias;
  • Uso de medicamentos;
  • Doenças prévias.

Em seguida, é realizado o exame ginecológico, que permite avaliar alterações na vulva, vagina, colo do útero e órgãos pélvicos. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames complementares.

Ultrassonografia transvaginal

É um dos exames mais utilizados para investigar:

  • Miomas;
  • Cistos ovarianos;
  • Adenomiose;
  • Alterações uterinas.

Exames laboratoriais

Quando há suspeita de infecção, podem ser realizados exames específicos para identificar o agente causador.

Histeroscopia

Em algumas situações, esse exame permite avaliar alterações da cavidade uterina.

Ressonância magnética

Pode ser indicada quando há suspeita de endometriose profunda ou adenomiose de difícil avaliação.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da causa identificada.

Lubrificantes vaginais

São indicados principalmente para reduzir o atrito durante a relação sexual. Promovem alívio imediato, mas não tratam alterações hormonais.

Hidratantes vaginais

Melhoram a hidratação da mucosa vaginal quando utilizados regularmente e são úteis em casos de sintomas leves.

Terapia hormonal vaginal

Nas mulheres com deficiência de estrogênio, o estrogênio de uso local costuma proporcionar excelente melhora da lubrificação, elasticidade e conforto durante as relações sexuais.

Terapia hormonal sistêmica

Quando existem outros sintomas importantes da menopausa, como fogachos intensos, a terapia hormonal sistêmica pode beneficiar também a saúde vaginal, desde que não haja contraindicações.

Tratamento das infecções

Infecções vaginais ou sexualmente transmissíveis exigem tratamento específico conforme o agente causador.

Fisioterapia pélvica

A fisioterapia do assoalho pélvico é uma ferramenta importante para mulheres com tensão muscular, dor persistente, vaginismo ou alterações funcionais da musculatura pélvica.

Tratamento da endometriose ou adenomiose

Dependendo da gravidade dos sintomas, podem ser utilizados medicamentos hormonais ou cirurgia.

Apoio psicológico

Quando fatores emocionais estão envolvidos, a psicoterapia pode complementar o tratamento e contribuir para melhores resultados.

É possível prevenir a dor durante a relação?

Nem todas as causas podem ser evitadas, mas algumas medidas ajudam a preservar a saúde sexual:

  • Realizar consultas ginecológicas periódicas;
  • Tratar precocemente infecções vaginais;
  • Manter atividade sexual regular quando desejada;
  • Utilizar lubrificantes quando necessário;
  • Não fumar;
  • Praticar atividade física;
  • Procurar tratamento para sintomas da menopausa.

Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de resolução do problema.

Perguntas frequentes

É normal sentir dor durante a relação após a menopausa?

Não. Embora seja uma queixa frequente, principalmente devido ao ressecamento vaginal, existem tratamentos eficazes que podem aliviar esse desconforto.

Lubrificante resolve todos os casos?

Não. Ele reduz o atrito durante a relação, mas não trata alterações hormonais, infecções, endometriose ou outras causas da dor.

A dor pode ter origem emocional?

Sim. Ansiedade, medo, experiências traumáticas e problemas no relacionamento podem contribuir para a dispareunia, frequentemente associados a fatores físicos.

Quando devo procurar um ginecologista?

Sempre que a dor for recorrente, persistente, impedir as relações sexuais ou estiver associada a sangramento, corrimento, febre ou dor pélvica intensa.

Conclusão

A dor durante a relação sexual não deve ser encarada como uma consequência natural da idade ou da menopausa. Diversas condições ginecológicas, hormonais, musculares e emocionais podem estar envolvidas, e a maioria delas possui tratamento eficaz.

A avaliação com o ginecologista é essencial para identificar a causa da dispareunia, indicar os exames necessários e definir a abordagem mais adequada. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível recuperar o conforto, melhorar a saúde íntima e promover uma vida sexual mais satisfatória e saudável.

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