Dra. Larissa Atala

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Reposição hormonal: benefícios, riscos e quem pode fazer

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CRM/SP 132948 | RQE 40443 | RQE 40443-1

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A terapia de reposição hormonal (TRH), atualmente denominada terapia hormonal da menopausa (THM) por diversas sociedades médicas, é considerada o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas da menopausa e da perimenopausa. Apesar de sua eficácia comprovada, muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre sua segurança, indicações e possíveis riscos.

Nas últimas décadas, estudos científicos ampliaram significativamente o conhecimento sobre a terapia hormonal, permitindo uma abordagem mais individualizada. Hoje, sabe-se que, quando bem indicada e acompanhada por um ginecologista, a reposição hormonal oferece benefícios importantes para muitas mulheres, especialmente quando iniciada no momento adequado.

Neste artigo, você entenderá como funciona a terapia hormonal, quem pode realizá-la, quais são seus benefícios, os possíveis riscos e as principais contraindicações.

O que é a reposição hormonal?

A reposição hormonal consiste na administração de hormônios para compensar a redução natural da produção de estrogênio e progesterona pelos ovários durante a transição para a menopausa.

Seu principal objetivo é aliviar os sintomas decorrentes da deficiência hormonal, melhorar a qualidade de vida e prevenir algumas complicações relacionadas ao hipoestrogenismo, como a perda acelerada de massa óssea.

A terapia pode utilizar:

  • Estrogênio isolado;
  • Associação de estrogênio e progesterona (ou progestagênio);
  • Terapias locais para sintomas vaginais;
  • Em situações específicas, outras opções hormonais, sempre sob avaliação médica.

A escolha depende de fatores como idade, histórico clínico, presença ou não do útero e intensidade dos sintomas.

Quando a reposição hormonal é indicada?

A terapia hormonal é indicada principalmente para mulheres que apresentam sintomas moderados ou intensos relacionados à menopausa, capazes de comprometer a qualidade de vida.

As principais indicações incluem:

Fogachos e suores noturnos

As ondas de calor representam a principal indicação para a terapia hormonal. A redução do estrogênio altera o centro de controle da temperatura corporal localizado no hipotálamo, favorecendo episódios de calor intenso, sudorese e desconforto. A terapia hormonal é considerada o tratamento mais eficaz para controlar esses sintomas.

Alterações do sono

Ao reduzir os fogachos noturnos, muitas mulheres apresentam melhora significativa da qualidade do sono.

Síndrome geniturinária da menopausa

A deficiência estrogênica pode provocar:

  • Ressecamento vaginal;
  • Ardor;
  • Coceira;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Maior frequência de infecções urinárias;
  • Urgência urinária.

Nos casos em que os sintomas são predominantemente vaginais, pode ser indicada terapia hormonal de uso local, geralmente com baixíssima absorção sistêmica.

Prevenção da perda óssea

Após a menopausa, ocorre aceleração da perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Em mulheres selecionadas, a terapia hormonal também contribui para reduzir esse processo.

Quais são os benefícios da reposição hormonal?

Quando indicada corretamente, a terapia hormonal pode proporcionar diversos benefícios.

Alívio dos sintomas vasomotores

A maioria das pacientes apresenta melhora importante ou desaparecimento dos fogachos e dos suores noturnos.

Melhora da qualidade do sono

Dormir melhor reduz fadiga, melhora o humor e favorece o desempenho nas atividades diárias.

Benefícios para a saúde vaginal

A terapia melhora:

  • Lubrificação vaginal;
  • Elasticidade dos tecidos;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Ardor e desconforto.

Preservação da massa óssea

A redução da perda óssea diminui o risco de fraturas relacionadas à osteoporose.

Melhora da qualidade de vida

Muitas mulheres relatam melhora da disposição, da capacidade funcional, da autoestima e do bem-estar geral após o início do tratamento.

É importante destacar que a resposta varia de acordo com as características individuais de cada paciente.

A reposição hormonal ajuda na libido?

Pode ajudar, mas nem sempre.

A libido é influenciada por diversos fatores, incluindo alterações hormonais, qualidade do relacionamento, saúde mental, sono, estresse, autoestima e presença de dor durante as relações.

Ao melhorar sintomas como ressecamento vaginal, dor e fogachos, muitas mulheres percebem melhora indireta da vida sexual.

Entretanto, a terapia hormonal não deve ser encarada como tratamento específico para aumento do desejo sexual.

Quais são os riscos da terapia hormonal?

Embora seja segura para a maioria das mulheres adequadamente selecionadas, a terapia hormonal apresenta riscos que devem ser avaliados individualmente.

Trombose venosa

Algumas formas de terapia hormonal, especialmente por via oral, podem aumentar discretamente o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar em mulheres predispostas. Em determinados casos, a via transdérmica (adesivos ou géis) pode representar uma alternativa com menor impacto sobre esse risco.

Acidente vascular cerebral

O risco absoluto é baixo em mulheres saudáveis que iniciam a terapia antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa. Ainda assim, fatores como hipertensão, tabagismo e diabetes devem ser considerados.

Câncer de mama

O risco depende de fatores como tipo de terapia, duração do tratamento e histórico individual. A terapia combinada com estrogênio e progestagênio pode estar associada a um pequeno aumento do risco após vários anos de uso contínuo. Esse risco deve ser comparado aos benefícios esperados e discutido com o ginecologista.

Câncer de endométrio

Mulheres que possuem útero não devem utilizar estrogênio isoladamente, pois isso aumenta o risco de câncer do endométrio. Nesses casos, é necessária a associação com progesterona ou progestagênio para proteger o revestimento interno do útero.

Quem pode fazer reposição hormonal?

De forma geral, a terapia hormonal pode ser considerada para mulheres que:

  • Estão na perimenopausa ou menopausa;
  • Apresentam sintomas moderados ou intensos;
  • Têm menos de 60 anos ou estão até 10 anos após a menopausa;
  • Não apresentam contraindicações ao tratamento.

Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Quem não deve fazer reposição hormonal?

As principais contraindicações incluem:

  • Câncer de mama atual ou suspeito;
  • Câncer de endométrio sem tratamento;
  • Sangramento uterino de causa não esclarecida;
  • Doença hepática grave;
  • Histórico recente de trombose venosa ou embolia pulmonar;
  • Acidente vascular cerebral recente;
  • Infarto recente;
  • Algumas doenças cardiovasculares de alto risco.

Nessas situações, existem tratamentos não hormonais que podem ser considerados.

Quais exames são necessários antes de iniciar o tratamento?

Antes da prescrição da terapia hormonal, o ginecologista realiza uma avaliação clínica completa. Dependendo da idade e do histórico da paciente, podem ser recomendados:

  • Exame ginecológico;
  • Mamografia conforme a faixa etária e diretrizes vigentes;
  • Exame preventivo do colo do útero (Papanicolau), quando indicado;
  • Avaliação da pressão arterial;
  • Exames laboratoriais, quando necessários;
  • Investigação de fatores de risco cardiovascular e tromboembólico.

Os exames são individualizados e nem todas as pacientes necessitam da mesma investigação.

Quanto tempo dura o tratamento?

Não existe um tempo único para todas as mulheres.

A duração depende da persistência dos sintomas, da resposta ao tratamento, da idade e da avaliação periódica dos benefícios e riscos.

A recomendação atual é utilizar a menor dose eficaz pelo tempo necessário para controlar os sintomas, com reavaliações regulares.

Perguntas frequentes

A reposição hormonal faz engordar?

Não há evidências de que a terapia hormonal, por si só, provoque ganho significativo de peso. As alterações metabólicas relacionadas ao envelhecimento e à menopausa são os principais fatores envolvidos.

A terapia hormonal previne doenças cardiovasculares?

Ela não deve ser utilizada exclusivamente com esse objetivo. Entretanto, quando iniciada precocemente em mulheres adequadamente selecionadas, pode apresentar efeitos favoráveis sobre alguns marcadores cardiovasculares.

Existe reposição hormonal natural?

Alguns produtos comercializados como “naturais” ou “bioidênticos” não possuem comprovação científica suficiente de superioridade em relação às terapias convencionais. Toda terapia hormonal deve ser prescrita e acompanhada por um médico.

A reposição hormonal é segura?

Para mulheres com indicação adequada, sem contraindicações e acompanhadas regularmente pelo ginecologista, a terapia hormonal apresenta um perfil de segurança favorável, especialmente quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa.

Conclusão

A terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas decorrentes da redução dos hormônios femininos, proporcionando melhora significativa da qualidade de vida para muitas mulheres. Sua indicação deve ser individualizada, considerando idade, histórico clínico, intensidade dos sintomas e fatores de risco.

Com avaliação médica criteriosa, acompanhamento periódico e escolha da estratégia terapêutica mais adequada, é possível obter os benefícios da reposição hormonal de forma segura. Se você apresenta sintomas da perimenopausa ou da menopausa, converse com seu ginecologista para esclarecer dúvidas e definir a melhor abordagem para o seu caso.

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