Dra. Larissa Atala

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Mamografia: quando começar e qual a frequência ideal?

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Dra. Larissa Atala

CRM/SP 132948 | RQE 40443 | RQE 40443-1

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A mamografia é o principal exame para o rastreamento do câncer de mama, permitindo identificar tumores ainda em fases iniciais, muitas vezes antes do aparecimento de qualquer sintoma. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais agressivos.

Uma das dúvidas mais frequentes entre as mulheres é sobre a idade ideal para iniciar a mamografia e a periodicidade com que o exame deve ser realizado. A resposta depende de fatores como idade, histórico familiar, risco individual e das recomendações adotadas pelas sociedades médicas e pelos programas de saúde.

Neste artigo, você entenderá quando iniciar o rastreamento, qual a frequência recomendada e quais mulheres precisam de um acompanhamento diferenciado.

O que é a mamografia?

A mamografia é um exame de imagem que utiliza baixas doses de raios X para avaliar o tecido mamário.

Ela é capaz de identificar alterações muito pequenas, incluindo nódulos e microcalcificações que ainda não podem ser percebidos durante o autoexame ou mesmo no exame clínico das mamas.

Por esse motivo, é considerada o método mais eficaz para o rastreamento do câncer de mama em mulheres sem sintomas.

Por que a mamografia é tão importante?

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres em diversos países, excluindo o câncer de pele não melanoma.

Nas fases iniciais, a doença geralmente não provoca dor nem outros sintomas perceptíveis.

Quando identificado precocemente, o câncer costuma apresentar:

  • Maior chance de cura;
  • Tratamentos menos agressivos;
  • Menor necessidade de quimioterapia em alguns casos;
  • Maior preservação da mama;
  • Melhores resultados estéticos e funcionais.

Por isso, o rastreamento periódico é uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade pela doença.

Quando começar a fazer mamografia?

A idade ideal para iniciar o rastreamento depende do risco individual da paciente.

Mulheres com risco habitual

No Brasil, existem diferenças entre as recomendações de órgãos governamentais e de sociedades médicas.

De forma geral:

  • O programa público de rastreamento recomenda mamografia a cada dois anos entre 50 e 69 anos para mulheres de risco habitual.
  • Diversas sociedades médicas brasileiras recomendam rastreamento anual a partir dos 40 anos, considerando que uma parcela importante dos casos de câncer de mama ocorre antes dos 50 anos.

Dessa forma, a decisão deve ser individualizada e discutida com o ginecologista ou mastologista, levando em conta os fatores de risco e as características de cada paciente.

Quem deve iniciar antes dos 40 anos?

Algumas mulheres apresentam risco aumentado para câncer de mama e podem necessitar de rastreamento precoce. Entre elas estão pacientes com:

  • Histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, especialmente em idade jovem;
  • Mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2;
  • Histórico pessoal de câncer de mama;
  • Radioterapia na região do tórax durante a juventude;
  • Síndromes hereditárias associadas ao câncer de mama.

Nessas situações, o acompanhamento costuma ser individualizado e pode incluir mamografia, ressonância magnética das mamas e outros exames, iniciados antes dos 40 anos.

Qual é a frequência ideal?

A periodicidade também depende do risco individual.

Em linhas gerais:

Mulheres de risco habitual

  • Anual, conforme recomendação de diversas sociedades médicas brasileiras, principalmente entre 40 e 74 anos.
  • Bienal (a cada dois anos), conforme o programa público de rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos.

Mulheres de alto risco

Geralmente necessitam de rastreamento anual, podendo ser associado à ressonância magnética das mamas. O esquema deve ser definido pelo médico responsável.

A mamografia substitui o exame clínico das mamas?

Não.

O exame clínico realizado pelo médico continua sendo uma etapa importante da avaliação da saúde mamária.

Durante a consulta, o profissional investiga sintomas, avalia fatores de risco e realiza o exame físico das mamas e das regiões axilares. Os dois métodos são complementares.

E o autoexame das mamas?

O autoexame não substitui a mamografia nem o exame clínico.

Atualmente, recomenda-se que as mulheres conheçam o aspecto habitual de suas mamas e procurem atendimento caso percebam alterações, como:

  • Nódulo persistente;
  • Alteração no formato da mama;
  • Retração da pele;
  • Retração do mamilo;
  • Vermelhidão persistente;
  • Secreção espontânea pelo mamilo, especialmente se sanguinolenta;
  • Aumento de gânglios na axila.

Essa estratégia é conhecida como autoconsciência das mamas.

Como é feita a mamografia?

O exame é realizado em equipamento específico.

Durante o procedimento:

  • A mama é posicionada sobre o aparelho;
  • É realizada uma compressão por alguns segundos;
  • São obtidas imagens em diferentes posições.

A compressão pode causar desconforto temporário, mas é necessária para melhorar a qualidade das imagens e reduzir a dose de radiação. O exame costuma durar cerca de 15 a 20 minutos.

A mamografia dói?

Algumas mulheres relatam desconforto durante a compressão das mamas, principalmente no período pré-menstrual. Entretanto, a maioria tolera bem o exame.

Caso exista sensibilidade importante, pode ser útil agendar a mamografia para os dias seguintes ao término da menstruação, quando as mamas costumam estar menos doloridas.

A radiação da mamografia faz mal?

A quantidade de radiação utilizada é baixa e considerada segura para o rastreamento. Os benefícios da detecção precoce do câncer superam amplamente os riscos relacionados à exposição aos raios X.

O que acontece se a mamografia encontrar uma alteração?

Nem toda alteração encontrada significa câncer. Na verdade, a maioria dos achados corresponde a alterações benignas.

Dependendo do resultado, o médico poderá recomendar:

  • Repetição do exame em determinado intervalo;
  • Ultrassonografia das mamas;
  • Mamografia complementar;
  • Ressonância magnética;
  • Biópsia, quando houver suspeita de malignidade.

A classificação dos achados costuma ser feita pelo sistema BI-RADS, que orienta a conduta mais adequada.

Mulheres com próteses de silicone podem fazer mamografia?

Sim.

A presença de implantes mamários não impede a realização do exame. É importante informar previamente à equipe de radiologia sobre a existência das próteses para que sejam utilizadas técnicas específicas que permitam melhor avaliação do tecido mamário.

Perguntas frequentes

Se não tenho sintomas, preciso fazer mamografia?

Sim. O objetivo do rastreamento é justamente identificar tumores antes do aparecimento de sintomas.

A ultrassonografia substitui a mamografia?

Não. A ultrassonografia é um exame complementar e não substitui a mamografia no rastreamento de mulheres com risco habitual.

Mulheres após a menopausa devem continuar fazendo mamografia?

Sim. O risco de câncer de mama aumenta com a idade, e o acompanhamento deve seguir a orientação médica, considerando a expectativa de vida, o estado geral de saúde e os fatores de risco individuais.

Quem tem histórico familiar de câncer de mama precisa começar antes?

Em muitos casos, sim. Mulheres de alto risco podem necessitar de rastreamento antecipado e exames adicionais, conforme avaliação especializada.

Como reduzir o risco de câncer de mama?

Embora nem todos os casos possam ser prevenidos, algumas medidas contribuem para diminuir o risco da doença:

  • Manter peso corporal adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Não fumar;
  • Manter alimentação equilibrada;
  • Amamentar, quando possível;
  • Realizar o rastreamento conforme orientação médica.

Conclusão

A mamografia é o principal exame para o rastreamento do câncer de mama e desempenha papel fundamental na detecção precoce da doença. A idade para iniciar o exame e sua periodicidade devem considerar o risco individual da paciente, além das recomendações médicas vigentes.

Manter as consultas ginecológicas em dia, conhecer os fatores de risco e realizar a mamografia no intervalo recomendado são medidas essenciais para aumentar as chances de diagnóstico precoce e tratamento eficaz. Em caso de dúvidas, converse com seu ginecologista ou mastologista para definir a estratégia de rastreamento mais adequada para o seu perfil.

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