Dra. Larissa Atala

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Miomas uterinos após os 40 anos: quando é necessário operar?

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CRM/SP 132948 | RQE 40443 | RQE 40443-1

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Os miomas uterinos estão entre as doenças ginecológicas benignas mais comuns nas mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que até 70% das mulheres desenvolvam miomas ao longo da vida, sendo o diagnóstico especialmente frequente entre os 35 e 50 anos.

Após os 40 anos, é comum que os miomas sejam identificados durante exames de rotina ou na investigação de sintomas como sangramento menstrual intenso, dor pélvica ou aumento do volume abdominal. Apesar da preocupação que o diagnóstico costuma causar, a grande maioria dos miomas é benigna e nem sempre exige tratamento cirúrgico.

A decisão de operar depende de diversos fatores, incluindo o tamanho e a localização do mioma, a intensidade dos sintomas, a idade da paciente, o desejo de preservar o útero e a proximidade da menopausa.

O que são os miomas uterinos?

Os miomas, também chamados de leiomiomas uterinos, são tumores benignos formados pelo crescimento das células musculares do útero.

Eles podem surgir em número único ou múltiplo e apresentar tamanhos bastante variados, desde pequenos nódulos com poucos milímetros até massas que aumentam significativamente o volume do útero.

É importante destacar que os miomas não são câncer e, na grande maioria dos casos, não evoluem para tumores malignos.

Por que os miomas aparecem?

A causa exata ainda não é completamente conhecida, mas acredita-se que seu desenvolvimento esteja relacionado à interação entre fatores hormonais, genéticos e de crescimento celular.

O estrogênio e a progesterona estimulam o crescimento dos miomas durante a fase reprodutiva. Por esse motivo, eles costumam crescer lentamente antes da menopausa e tendem a estabilizar ou diminuir de tamanho após a redução natural desses hormônios.

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver miomas, como:

  • Histórico familiar de miomas;
  • Início precoce da menstruação;
  • Obesidade;
  • Hipertensão arterial;
  • Ausência de gestação;
  • Idade entre 35 e 50 anos.

Quais são os tipos de miomas?

A localização do mioma influencia diretamente os sintomas e a escolha do tratamento.

Miomas intramurais

São os mais frequentes. Desenvolvem-se na parede muscular do útero e podem provocar:

  • Aumento do fluxo menstrual;
  • Cólicas;
  • Sensação de peso na pelve;
  • Aumento do volume uterino.

Miomas submucosos

Localizam-se logo abaixo da camada interna do útero (endométrio). Mesmo quando pequenos, costumam causar:

  • Sangramento menstrual intenso;
  • Sangramentos prolongados;
  • Anemia;
  • Dificuldade para engravidar em algumas mulheres.

Miomas subserosos

Crescem na parte externa do útero. Frequentemente provocam poucos sintomas menstruais, mas podem causar:

  • Sensação de pressão;
  • Dor pélvica;
  • Compressão da bexiga ou do intestino quando atingem grandes dimensões.

Miomas pediculados

São ligados ao útero por uma espécie de haste (pedículo) e podem estar voltados para a cavidade uterina ou para a parte externa do órgão.

Quais são os principais sintomas?

Muitas mulheres não apresentam sintomas e descobrem os miomas durante exames ginecológicos de rotina.

Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:

  • Menstruação intensa;
  • Sangramento menstrual prolongado;
  • Sangramento entre os ciclos em alguns casos;
  • Cólicas menstruais intensas;
  • Dor ou pressão pélvica;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Sensação de peso na pelve;
  • Necessidade frequente de urinar;
  • Constipação intestinal quando há compressão do reto;
  • Dor durante a relação sexual em algumas situações.

Nos casos de sangramento intenso, pode ocorrer anemia por deficiência de ferro, causando fadiga, tontura e falta de disposição.

Os miomas aumentam o risco de câncer?

Não.

Os miomas são tumores benignos.

O leiomiossarcoma, um tipo raro de câncer do músculo uterino, não costuma surgir a partir de um mioma já existente.

No entanto, crescimento muito rápido do útero após a menopausa ou características incomuns nos exames de imagem podem exigir investigação adicional.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente começa durante a consulta ginecológica. Durante o exame físico, o médico pode identificar aumento do volume uterino ou alterações na pelve. Os exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico.

Ultrassonografia transvaginal

É o exame mais utilizado para identificar:

  • Número de miomas;
  • Tamanho;
  • Localização;
  • Relação com o endométrio.

Também auxilia na avaliação dos ovários e de outras estruturas pélvicas.

Ressonância magnética

Pode ser indicada quando há necessidade de planejamento cirúrgico ou em casos mais complexos. Permite avaliar com maior precisão a anatomia dos miomas.

Histeroscopia

É especialmente útil para identificar miomas submucosos que crescem para dentro da cavidade uterina. Além do diagnóstico, pode permitir o tratamento em algumas situações.

Todo mioma precisa ser tratado?

Não.

Muitos miomas pequenos, assintomáticos e estáveis necessitam apenas de acompanhamento periódico.

O tratamento é indicado quando o mioma provoca sintomas importantes ou interfere na qualidade de vida.

Quando é necessário operar?

A cirurgia pode ser indicada quando ocorre uma ou mais das seguintes situações:

Sangramento intenso persistente

Quando o fluxo menstrual excessivo provoca anemia ou não melhora com tratamento clínico.

Dor pélvica importante

Miomas que causam dor intensa ou desconforto persistente podem justificar tratamento cirúrgico.

Compressão de órgãos vizinhos

Miomas volumosos podem comprimir a bexiga ou o intestino, causando:

  • Aumento da frequência urinária;
  • Dificuldade para urinar;
  • Constipação intestinal;
  • Sensação constante de pressão pélvica.

Crescimento significativo

Embora o crescimento dos miomas seja esperado antes da menopausa, aumentos rápidos de volume devem ser avaliados cuidadosamente.

Suspeita diagnóstica

Quando os exames não permitem diferenciar adequadamente um mioma de outras alterações uterinas, pode ser necessária abordagem cirúrgica.

Quais são os tratamentos sem cirurgia?

Nem todas as mulheres necessitam de operação. Dependendo dos sintomas e das características dos miomas, podem ser utilizados:

Medicamentos

Alguns medicamentos ajudam a controlar os sintomas, especialmente o sangramento menstrual intenso. Entre eles estão:

  • Anti-inflamatórios não esteroides;
  • Ácido tranexâmico durante a menstruação;
  • Terapias hormonais;
  • Progesterona em situações específicas.

Esses tratamentos não eliminam os miomas, mas podem melhorar os sintomas.

DIU hormonal

O sistema intrauterino com levonorgestrel é uma excelente opção para reduzir o sangramento menstrual em mulheres selecionadas. Sua eficácia depende da localização dos miomas e da anatomia da cavidade uterina.

Embolização das artérias uterinas

É um procedimento minimamente invasivo realizado por radiologia intervencionista. Consiste em interromper o fluxo sanguíneo que alimenta os miomas, levando à redução do seu tamanho e dos sintomas. Nem todas as pacientes são candidatas a esse tratamento.

Quais cirurgias podem ser realizadas?

A escolha depende da idade, dos sintomas, do tamanho dos miomas e do desejo de preservar o útero.

Miomectomia

Consiste na retirada apenas dos miomas, preservando o útero. É indicada principalmente para mulheres que desejam manter a fertilidade ou conservar o órgão. Pode ser realizada por:

  • Histeroscopia;
  • Laparoscopia;
  • Cirurgia aberta, quando necessário.

Histerectomia

É a retirada do útero. Pode ser indicada em mulheres que apresentam sintomas importantes, múltiplos miomas, não desejam futuras gestações ou quando outros tratamentos não foram eficazes. Dependendo do caso, os ovários podem ser preservados.

O que acontece com os miomas após a menopausa?

Na maioria das mulheres, os miomas tendem a reduzir de tamanho após a menopausa devido à queda dos níveis de estrogênio e progesterona.

Por esse motivo, em mulheres próximas da menopausa e com sintomas leves, muitas vezes é possível optar apenas pelo acompanhamento clínico.

Entretanto, qualquer crescimento significativo do útero após a menopausa deve ser investigado.

É possível prevenir os miomas?

Não existe uma forma comprovada de prevenir completamente seu aparecimento.

No entanto, hábitos saudáveis podem contribuir para a saúde ginecológica, como:

  • Manter peso adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Controlar doenças metabólicas;
  • Realizar consultas ginecológicas periódicas.

Perguntas frequentes

Mioma sempre causa sangramento intenso?

Não. Muitas mulheres não apresentam sintomas, especialmente quando os miomas são pequenos ou localizados na parte externa do útero.

Mioma pode desaparecer sozinho?

Antes da menopausa isso é incomum. Após a menopausa, entretanto, muitos miomas diminuem naturalmente de tamanho.

Toda mulher com mioma precisa retirar o útero?

Não. A histerectomia é apenas uma das opções de tratamento e está indicada em situações específicas. Muitas mulheres podem ser tratadas com medicamentos, embolização ou miomectomia.

Mioma pode virar câncer?

Não. A transformação de um mioma benigno em câncer é extremamente rara. No entanto, alterações incomuns devem ser avaliadas pelo ginecologista.

Conclusão

Os miomas uterinos são tumores benignos muito frequentes após os 40 anos e, na maioria das vezes, não representam um risco grave para a saúde. Nem todo mioma precisa de cirurgia, e a decisão sobre o tratamento deve considerar os sintomas, o tamanho e a localização dos nódulos, além dos objetivos reprodutivos e da fase da vida da paciente.

Com acompanhamento ginecológico regular e avaliação individualizada, é possível escolher a abordagem mais adequada para controlar os sintomas, preservar a qualidade de vida e evitar procedimentos desnecessários. O diagnóstico precoce e o seguimento periódico são fundamentais para garantir um tratamento seguro e eficaz.

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